Biologia - O Conhecimento da Vida! (Fungos - Estudo dos Fungos)


Por Edna Scremin Dias e Marco Aurélio Rocha

1.   Introdução

Micologia: é o ramo da Biologia que estuda os fungos, ela engloba o estudo de um grande número de seres pluricelulares ou macroscópicos ou unicelulares ou microscópicos. Estes últimos, principalmente os micro-fungos parasitas, pertencem ao domínio da Microbiologia.

Definir os exatos limites do grupo é virtualmente impossível. Atualmente, os biologistas usam o termo FUNGO para incluir: "os organismos aclorofilados, nucleados, produtores de esporos, que geralmente se reproduzem sexuadamente à assexuadamente e cujas estruturas somáticas filamentosas e ramificadas são envolvidas por paredes celulares contendo celulose ou quitina ou ambas."

Os fungos incluem organismos muito diversificados e em muitos casos pouco relacionados. Apresentam algumas características comuns aos vegetais e outras aos animais, sendo que sua posição entre os seres vivos foi polêmica durante muitos tempo. No sistema de cinco reinos, proposta por Wittaker (1969) para a classificação dos seres vivos, o grupo adquiriu identidade própria: Reino Fungi (grego: sphongos = esponja; latin = fungus).

Alexopoulos & Mimus (1979) adotaram a posição do reino para o grupo, mas com outra terminologia: Reino Mycetae (grego: mykes = cogumelo).

A taxonomia dos fungos tem sido tratada, classicamente, em livros textos de botânica. Micologia é relativamente recente (cerca de 250 anos), se comparada com a Botânica e Zoologia. Muito grupos de fungos são conhecidos somente a 30-40 anos. Os fungos são popularmente pouco conhecidos. Poucas pessoas têm consciência da importância dos fungos em nosso dia a dia. Basta lembrar que a Micologia tem ramificação, aplicações e disciplina na Medicina, Veterinária, Bioquímica, Genética, Citologia, etc.

2.   Características Gerais

Os fungos são encarióticos, diferem, portanto, das bactérias, algas azuis e proclorofíceas. Como já foi mencionado anteriormente, os fungos não possuem clorofila e nesta característica constituem um grupo bastante homogêneo; não há exceções.

Excetuando-se os raros casos, possuem paredes celulares definidas, são geralmente imóveis, porém podem possuir estágios reprodutivos móveis, reproduzindo-se assexuadamente através de esporos, na maior parte dos casos. Não possuem caule, raízes ou folhas, nem um sistema de condução sofisticado como as plantas superiores. A forma varia desde um simples talo esférico sem qualquer outro acessório e que se transforma totalmente em um esporângio na maturidade, até a forma filamentosa multicelular (micelial), ramificada ou não. Os núcleos são relativamente fáceis de serem observados e as estruturas somáticas, com raras exceções, demonstram possuir restrita ou nenhuma divisão de trabalho.

Estrutura geral dos fungos

O crescimento do filamento - a hifa - é apical, porém as outras partes do fungo possuem potencialidades de crescimento. Assim um pequeno fragmento de quase qualquer parte do fungo é suficiente para dar início a um novo talo.

De modo geral as estruturas somáticas são diferentes das estruturas reprodutivas e estas possuem uma diversificação de formas nas quais se baseia a classificação desses organismos. Poucos são os fungos que podem ser identificados na ausência de seus estágios sexuados. Neste caso devem ser colocados na classe formal: Deuteromycetes.

3.   Nutrição e Crescimento

Os fungos são aclorofilados e heterotróficos. Possuem pigmentos responsáveis pelas cores variadas que apresentam mas nenhuma capaz de absorver energia para síntese de carbohidratos a patir de CO2. Assim, são heterotróficos, mas se nutrem por obsorção, ao contrário dos animais, por ingestão. Excetuam-se os representantes da classe Nyxomicetes que também se nutrem por ingestão.

Os fungos dependem de água líquida para seu crescimento e desenvolvimento. A maioria também depende do oxigênio para a respiração, sendo, portanto, aeróbicos. Muitos entretanto, são anaróbicos facultativos, isto é, respiram na presença de oxigênio e fermentam na ausência.

Conforme a nutrição, os fungos são classificados em duas categorias: s aprófitas (ou sapróbios) e parasitas. Os saprófitas se alimentam de matéria orgânica animal ou vegetal morta e os parasitas vivem dentro de ou sobre organismos vivos (animais ou vegetais), deles retirando seus alimentos.

Entretanto, nem sempre se pode fazer uma clara distinção entre parasitas e saprófitas. Entre os parasitas, pode-se distinguir 3 níveis de parasitismo:

a)    Parasita obrigatório: é aquele que só pode viver sobre um hospedeiro.

Ex.: Erysiphe sp.

b)    Saprófita facultativo : normalmente vive como parasita e deste modo atinge seu maior desenvolvimento. Entretanto, dependendo das circunstâncias pode viver como saprófita. Ex.: Phytophtora infestans (parasita de batata) pode se desenvolver em meio de ágar, em laboratório.

Fotografia de um Basidiomycete

c)   Parasita facultativo: é aquele que geralmente é saprófita, mas pode se tornar parasita. Isto ocorre, por exemplo, com certas espécies da Fusarium que habitam o solo vivendo como saprófitas. Se um hospedeiro vegetal (plântulas, por exemplo) adequado for colocado no solo, o fungo passa a atacá-lo, vivendo agora como parasita.

Os fungos vivem exclusivamente como saprófitas, são chamados saprófitas obrigatórios . São incapazes de infectar plantas ou animais vivos. São exemplos destes: Rhizopus ("bolor preto do pão"); Penicillium ("bolor azul").

A Penicilina é um importante antibiótico derivado deste fungo saprófita Penicillum notatum

Os fungos podem viver ainda em simbiose com outros organismos. O exemplo mais notável são os líquens, nos quais uma determinada espécie de fungo vive em simbiose com uma alga.

Outro exemplo é o da micorriza, onde o fungo vive associado às raízes de plantas superiores. As hifas do fungo funcionam como pelos absorventes, retirando água e sais da solução de solo, transferindo-os às raízes da planta. Esta, por sua vez fornece substâncias elaboradas ao fungo.

Para o seu desenvolvimento, necessitam de carboidratos. Estes são necessários para a construção do corpo do fungo e como fonte de energia. Num fungo típico, 50% do peso seco são representados por Carbono. Dos carboidratos, os fungos utilizam glicose, frutose, maltose. A sacarose é também boa fonte de carbono para algumas espécies. Alguns fungos utilizam proteínas, lipídios e certos ácidos orgânicos como fontes de energia.

O crescimento, entretanto, é sempre melhor quando o fungo se encontra sobre um substrato que contém um carboidrato apropriado.

Além do carbono, os fungos necessitam de Nitrogênio. Para conseguí-lo, eles se utilizam de fontes orgânicas ou inorgânicas daquele elemento. As principais fontes orgânicas são as proteínas, peptídios e aminoácidos. Na natureza, os fungos decompõem proteínas, e outras matérias para obterem seu suprimento de Nitrogênio. Muitos fungos, entretanto, obtém o Nitrogênio a partir de fontes inorgânicas, como nitratos e sais de amonia.

Hidrogênio e Oxigênio são obtidos na forma de água que representa cerca de 85-90% do peso total do micélio.

Entre os macronutrientes, os fungos requerem além do Nitrogênio, Enxofre, Fósforo, Potássio e Magnésio. Estes elementos são obtidos a partir de sais inorgânicos ou de outras fontes como sulfatos para o Enxofre e fosfatos para o Fósforo.

Para o seu completo desenvolvimento, utilizam ainda micronutrientes como: Ferro, Zinco, Cobre, Manganez, Boro, Cobalto e Molibdênio.

Como os outros organismos, necessitam de diminutas quantidades de Vitaminas . Muitas espécies sintetizam suas próprias vitaminas; outras obtem, ou aos seus precursores, a partir de substratos. Tais vitaminas incluem: tiamina (B1 ), piridoxina (B6) e riboflavina (B2). Poucas espécies usam também ácido nicotínico e ácido pantotênico, sendo que a grande maioria, contudo, requer a tiamina.

Quanto à temperatura, a maioria dos fungos cresce bem entre 0ºC e 35ºC, mas o ótimo fica na faixa de 20ºC a 30ºC. Podem ocorrer casos extremos de tolerância tanto à altas como baixas temperaturas.

Quanto ao pH, os fungos preferem meio ácido para o seu crescimento, ficando o ótimo no redor de 6.

O fator luz não é importante para o seu desenvolvimento, mas um pouco de luz é essencial para a ocorrência de esporulação em muitas espécies. A luz também toma parte na dispersão dos esporos, sendo que os esporângios de muitos fungos são positivamente fototrópicos e descarregam seus esporos em direção à luz.

Tipicamente, o talo de um fungo consiste de filamentos ramificados em todas as direções, sobre ou dentro de substrato que exploram como alimento. Tais filamentos se denominam HIFAS (grego: hiphe = tecido, trama). O conjunto de hifas se chama MICÉLIO (grego: mykes = fungo). Cada hifa pode ou não estar interrompido por septos. O micélio que contém septos é chamado septado e o que não apresenta septos em suas hifas, é dito cenocítico (grego: Koinos = comum; Kytos = cavidade).

As septadas podem apresentar septo completo, com poro simples ou poro doliporo.

Fotografia de um Zigomycete, evidenciando os esporos

O micélio pode ser classificado em dois tipos de acordo com o arranjo das hifas: Prosênquima e pseudoparênquima . O micélio do tipo prosênquima caracteriza-se por sua aparência distintamente filamentosa, enquanto no pseudoparênquima a estrutura filamentosa não pode ser reconhecida, isto é, lembra um parênquima. Os fungos parasitas emitem hifas especiais por entre as células do hospedeiro ou para dentro delas, sugando-lhes os nutrientes através de uma estrutura denominada HAUSTÓRIO. (Latim: haustor = o que bebe).